livraria cultural

sábado, 28 de agosto de 2010

CAROLINA autor CASIMIRO DE ABREU


Esta é a historia de uma jovem que após se perder com um homem,de quem engravida, se envereda na prostituição é um retrato claro de uma época de conservadorismo e tabus sexuais; A história escrita por Casimiro de Abreu, se assemelha em muito com outras historias de amor que tem a traição e a tragédia por pano de fundo, tipo Romeu e Julieta de Shakespeare, e tantas outras; No entanto surpreende-nos pelas conseqüências finais dos caminhos escolhidos pelos três personagens principais Augusto o apaixonado pela donzela Carolina e Fernando o don Juan da historia que se identifica como um incorrigível conquistador de donzelas, e com quem Carolina se envolveu traindo a confiança de seu amado Augusto, e a personagem central, já citada, Carolina descrita como a meiguice em pessoa e que amava a Augusto. 
A historia começa com Augusto se despedindo de Carolina para ir a uma viajem de negócios, os dois trocam juras de amor e se prometem guardar todo amor deles para a ocasião do reencontro ali embaixo daquela arvore frondosa, no entanto apenas seis mais tarde Carolina se envolve amorosamente com Fernando que a desflora e a abandona a própria sorte. O autor da um pulo no tempo levando nos a ao retorno de Augusto e sua decepção ao ver que a família da sua amada se mudara devido à vergonha resultante do envolvimento e gravidez de Carolina, que abandonou o lar. Augusto parte para Lisboa e passa a descrever a um amigo provavelmente Fernando os dois lados de uma grande metrópole desde a opulência dos ricos as miseráveis vidas dos desafortunados, ambos vão parar num meretrício onde Fernando, como meio de Augusto esquecer uma antiga paixão, o incentiva a se entregar ao usufruto do sexo, sem cultivar o amor que segundo ele se causa dor e decepção. 
O destino sempre é generoso nos desenrolar das historias românticas, e nessa não poderia ser diferente, Augusto e Fernando sobem ao 4º andar dum prédio a cata de uma prostituta se deparando com Carolina que conta para Augusto ter sido Fernando que se aproveitou de um momento de fraqueza dela lhe engravidando e a deixando sozinha, sem outra saída acabara se entregando a vida fácil; Augusto fica cheio de ódio de Fernando, pois era seu amigo desde a infância, lhe atraca pelo pescoço e o mata fugindo em seguida. 
A consciência de Augusto atormentava-lhe pelo crime cometido a ponto de adoecer, mas ao recobrar a saúde voltou ao meretrício no afã de reencontrar Carolina, mas ela já tinha ido embora deixando uma carta aos cuidados da dona da casa de prostituição, onde a jovem pedia perdão por ter traído Augusto e confessa ainda amá-lo muito. 
Carolina acabou por não resistir tanto sofrimento e morreu, antes porem deixando mais uma carta onde lamentava sua forma de agir, e falando de sua morte. 
Acredito que se você chegou até aqui é por que gostou desta historia que envolve amor, paixão e ódio, e não pense que isso só acontece em ficção, mesmo na vida real esse sentimento entre homem e mulher que alguns chamam de amor outros de paixão tem rendido boas historias em todas esferas da humanidade.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O DIARIO DE UM MAGO - PAULO COELHO



O Diário de um Mago - Paulo CoelhoO diário de um mago é uma promessa de que com seu pé e seu passo você é absolutamente capaz de fazer seu caminho, de atingir seu sonho e conquistar sua espada. 
O livro conta a história da jornada de três meses que Paulo Coelho peregrinou pelos quase 700 km pela cidade de Santiago de Compostela. A obra relata a saga de Paulo Coelho que busca pelos mistérios sagrados da magia, conta também sobre seu encontro com um mago italiano que é seu guia, as experiências místicas conhecidas como As Práticas de RAM e a passagem por um dos três caminhos sagrados da antigüidade: O Caminho de Santiago de Compostela. 
Neste livro, narrado na primeira pessoa, o autor faz uma descrição detalhada de uma viagem, na qual se compromete quando comete o erro de iniciar como mágico. É necessário que faça este trajeto, porque dele depende a entrega da sua espada nova que substitui a anterior, enterrada por ele mesmo, sem possibilidade de revogar a ação. Esta espada significa muito para o protagonista da trama, pois representa todo o poder que se pode desenrolar numa nova face de perfeição como homem, que o leva a um nível superior na dita tradição. O caminho de Santiago, especialmente a rota francesa, foi percorrido por ele. Muito conhecido desde o tempo das cruzadas, cheio de mistérios e tradições. O personagem principal deste romance irá ver-se envolto nuns cem números de situações, que resultam em provas que terá de ultrapassar para atingir o seu objetivo. Em algumas oportunidades contará com a ajuda de um estranho companheiro que servirá de guia no seu trajeto pela grande extensão de terra entre a sua meta física e espiritual. 
Concluímos que neste livro vemos a possibilidade de interagir de alguma maneira com o protagonista, porque ainda que narre uma história já passada, algumas imagens são detalhadas, alguns rituais mágicos que o autor teve que executar para superar momentos críticos e avançar para os níveis de perfeição espiritual. Alguns exercícios representam o renascer do ser humano, a relação entre a vida e a morte, a interação entre o ser humano e o divino por meio da comunicação com o anjo da guarda, paciência, autocontrole. Ensinam a caminhar de uma maneira desconhecida para muitos, ficando-se pelos detalhes que ainda que sejam quotidianos, não nos apercebemos da sua presença e muitas vezes da sua importância nas nossas vidas.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O DIARIO DE ANNE FRANK - O maior documentário da 2ªGuerra Mundial



Anne Frank nasceu em 1929 em Frankfurt no seio de uma família judia. Era filha de Edith e Otto e irmã de Margot. 

Em 1933, o partido Nazista ascende ao poder, e o pai de Anne decide sair da Alemanha. Vão viver para a Holanda, com o objetivo de fugirem às investidas de Hitler, e buscando alguma segurança e tranqüilidade. Instalam-se em Amsterdã e durante 7 anos aí viveram despreocupadamente. 

Em 1940, contudo, a Holanda foi ocupada pelos Nazistas e tudo mudou: 
todos os judeus foram obrigados a bordar a Estrela de David nas roupas; tiveram de entregar as bicicletas e foram proibidos de andar de automóvel e de elétrico; só podiam fazer compras a determinadas horas do dia e apenas em lojas judias; foram proibidos de freqüentar teatros e cinemas; as crianças só podiam freqüentar escolas judias. 

Apesar de tudo, Anne era uma menina feliz, a quem o pai tentava proteger do que se passava. No dia em que fez 13 anos, Otto ofereceu-lhe um diário, de capa forrada a tecido xadrez. Sem saber, Otto provocou um feito histórico, permitindo que milhares de pessoas conhecessem Anne. 

Neste diário, Anne decide escrever cartas a uma amiga imaginária, a quem deu o nome de Kitty. A ela relatava o seu dia-a-dia, e as dificuldades por que passavam por serem judeus. 

Em Julho de 1942, a família recebe uma notificação para que Margot se apresente num campo de trabalhos – isto fez com que Otto antecipasse os planos de fazer desaparecer a família. Mudam-se então para um esconderijo localizado nas traseiras do seu escritório, ao qual se tinha acesso por uma porta escondida por uma estante. Mais tarde juntaram-se a eles a família Van Pels e Fritz Pfeffer. 

Os moradores do Anexo Secreto contavam com a ajuda de alguns funcionários de Otto, que os mantinham informados do que se passava lá fora e que lhes traziam mantimentos. 

Anne passava a maior parte do seu tempo a estudar e a escrever – o diário era o seu escape. No mesmo, ela diz que escrevia para “aliviar o coração”, porque assim a dor desaparecia e a coragem regressava. Anne relatou com pormenor o modo como os dias eram passados no anexo, as suas angústias, medos, alegrias e o amor que sentia por Peter. 

A 4 de Agosto de 1944, a polícia invadiu o esconderijo e todos foram presos. Até hoje desconhece-se quem os denunciou. Anne e a família foram enviados para um campo de trabalhos em Westerbork e mais tarde para Auswitz, na Polónia, onde Edith viria a morrer. Anne e Margot são então enviadas para Bergen-Belsen, onde viriam a morrer com tifo, poucas semanas antes do campo ser libertado.

O Diário de Anne Frank foi publicado pelo seu pai Otto Frank com a ajuda da escritora Mirjam Pressler, após o fim da segunda guerra mundial e com o diário de sua filha em mãos ele se dedicou a divulgar a obra de Anne, 1980 ele morre mais deixa uma grande trabalho feito. . 

É difícil nos imaginar numa situação dessa, como Anne foi forte, ela era uma garota que foi privada da melhor coisa: a liberdade. Seus conflitos familiares eram grandes principalmente com sua mãe. É interessante que na primeira edição muitas coisas são cortadas, pois Otto sabia que seria um choque falar das brigas de Anne com a mãe, da sexualidade da filha em 1947, somente nessa edição integral saiu tudo. Reclamamos por tão pouco, temos tudo e mesmo assim somos egoístas e insatisfeitos 
com tudo, seria melhor agradecer do que reclamar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A moreninha - Autor do livro: Joaquim Manuel de Macedo



A moreninha



Chegava o dia de Sant’ana e Filipe convidou seus amigos Leopoldo, Fabrício e Augusto para irem à ilha de Paquetá, na casa de sua avó D. Ana. Conversando, os jovens estudantes de medicina, questionam a inconstância de Augusto em seus romances e assim, fizeram uma aposta. Filipe apostou com Augusto que indo para a ilha ele acabaria apaixonado por uma das moças que lá estaria e que se ele se mantivesse apaixonado quinze dias por uma só moça ele lhe escreveria um romance contando o fato, caso contrário Filipe escreveria um romance contando sua derrota. 

Chegava o dia de irem para ilha, Fabrício escreveu uma carta pedindo a ajuda de Augusto, pois seu namoro com D. Joana não estava bem. Ele agia de forma clássica em seus romances, mas por questionamentos de Augusto resolveu agir de forma romântica e assim se envolveu com a prima, de Filipe, D. Joana, e a moça, a partir de então, não lhe deixava em paz com exigências. Queria que Augusto o ajudasse a se livrar da moça. 
Assim chegaram à ilha, Augusto foi interceptado por uma senhora que lhe tomou numerosas horas com narrações maçantes, quando finalmente se viu livre de tal senhora foi ter com D. Carolina, irmã de Filipe, mas nesse momento Fabrício o convocou para uma palavra. Pediu-lhe a resposta da carta, mas Augusto havia perdido a paciência com a maçante senhora e, além disso, não teve oportunidade de ficar com D.Carolina; recusou a ajuda. 

Fabrício, então para se vingar da recusa ao pedido, revelou na mesa de jantar as inconstâncias nos amores de Augusto, ele se defendeu alegando que não podia se prender e amar uma só senhora, pois enquanto uma tinha um sorriso cativante outra tinha um lindo colo e assim justicava-se pela beleza do sexo oposto. Depois do jantar todas as senhoras, temendo o rapaz, o deixaram sozinho. Por fim D.Ana lhe concedeu o braço e foram passear. 

Caminharam até chegar a uma gruta e lá foi novamente questionado pela sua inconstância, então revelou por que agia de tal forma. Quando tinha seu treze anos, encontrou-se na praia com uma menina travessa que devia ter seus oito anos, logo os dois se tornaram grandes camaradas e decidiram se casar, passaram a tratar um ao outro como “meu esposo” e “minha mulher”. Assim não se importaram com nomes, continuavam a brincar quando chegou um menino chorando até eles. 
O pai do menino estava morrendo, correram os três até uma cabana, Augusto e sua “mulher” encontraram um velho moribundo, sua mulher e seus filhos, deram todo dinheiro que tinham para a família, o velho então os abençoou e sabendo do desejo que tinham de se casarem, pediu a eles um objeto de valor. Augusto lhe entregou um camafeu de ouro e a menina um botão de esmeralda. O velho entregou o camafeu de ouro para a menina e o botão de esmeralda para o menino, dessa forma no futuro se reconheceriam e se casariam. Assim os dois foram embora, a menina foi ao encontro dos pais e nunca mais se viram. 

Não amou nunca mais, até que questionado iniciou seus namoros, primeiro namorou a uma moça morena que depois de lhe jurar gratidão e ternura casou-se com um velho de sessenta anos. Depois amou a uma corada que em um baile ouviu-a dizer a outro que ele era um pobre rapaz com quem se divertia, em terceiro amou a uma jovem pálida que zombava dele e do primo ao mesmo tempo, jurou então não amar nem um desses três tipos de moça, mas então percepeu que assim não podia amar nem sua “mulher” então depois de uma canção iniciou sua inconstância. 

A cada ponto dessa narração ouvia alguém correndo na porta da gruta, mas quando ia lá só via a travessa D. Carolina, distante a se divertir. Explicando-se foi até uma fonte ao fundo da gruta e bebeu de sua água em um copo que ficava ali justamente pra isso. Após beber D.Ana contou-lhe sobre a lenda daquela fonte que era na verdade as lágrimas de uma virgem que muito chorou em cima do rochedo da gruta por não ser correspondida pelo mancebo que todos os dias visitava àquela ilha, as gotas de suas lágrimas penetraram o rochedo e caíram sobre o mancebo que acabou apaixonando pela virgem. E ali ficara a fonte, dizia a lenda que quem bebesse daquela fonte não sairia da ilha sem amar um de seus habitantes. 
Logo que saíram da gruta D.Carolina estava em cima do rochedo cantando a canção que a virgem cantava. Assim voltaram todos para a casa. 
Estando na casa caiu café sobre as calças brancas de Augusto que foi trocá-las, Filipe lhe disse que poderia se trocar no quarto das moças, Augusto acabou aceitando e assim que estava de siroulas entram no quarto: Joana, Gabriela, Quinquina e Clementina. O rapaz correu e se escondeu debaixo da cama e lá ficou ouvindo as confidências das moças. Essas foram interrompidas por um berro de Carolina, as moças saíram e em seguida Augusto saiu vestido. 
A serva Paula que amamentara Carolina havia bebido muito ao fazer companhia para o S. Kleberc e estava desmaiada. Logo muitos diagnósticos vieram, Filipe e seus amigos disseram o que tinha acontecido, logo viram que se tratava de bebida, mas como Carolina não acreditaria e seria mais divertido mentir inventaram loucuras acerca do que havia acontecido. Logo a noite seguiu cheia de diversão. 

No entanto, Augusto não se agradava com os jogos que os jovens faziam, faltava ali D. Carolina. D. Ana vendo a inquietação do rapaz perguntou-lhe o que tinha e com a resposta mandou ir procurá-la, achou-a junto a Paula, acabava de brigar com uma escrava que dizia que a água para o escalda-pés da outra estava muito quente, e assim decidiu por si mesma fazer. Logo a vendo segurar os gemidos provados pela dor da água fervendo Augusto se ofereceu a fazer ele mesmo o escalda-pés. 
De início Augusto achara Carolina feia, depois a achara travessa e agora estava a ponto de achá-la bela. E todos viam que Carolina deitava maior delicadeza para ele. Assim seguiu os dias. Durante um sarau Augusto se declarou para quatro senhoras, essas depois reunidas desobrindo tais declarações decidiram que fariam uma brincadeira com ele para se vingarem, escreveram-lhe um bilhete pedindo que fosse para a gruta no dia seguinte onde lhe esperariam, assinaram como uma incógnita. 
Mas Carolina havia ouvido tudo e com outro bilhette anônimo contou a verdade para Augusto, mas mesmo assim ele foi até a gruta só que quem riu foi ele, ao chegar lá disse que adivinharia segredos das quatros assim que bebesse da água da fonte que era mágica. Assim em particular falou a elas sobre os segredos que elas mesmos haviam revelado naquele dia no quarto. Assim todas foram embora, quando Augusto ia sair apareceu Carolina na gruta e disse que ela lhe revelaria agora o passado presente e futuro dele. 

Falou-lhe sobre a “sua mulher” e sobre as moças que o ignoraram, falou que no futuro, estaria apaixonado e esqueceria sua mulher e depois lhe falou sobre o presente. Por fim voltaram todos à corte. Mas Augusto não era o mesmo, confidenciou a Fabrício que amava Carolina, essa, na ilha, andava entre suspiros e deixara de ser a menina travessa que era. 
Assim no fim de semana seguinte Filipe voltou à ilha, e disse que no dia seguinte Augusto viria. Logo Carolina se alterou e no dia seguinte vestida de branco foi para cima do rochedo quando a embaração de Augusto apontou, a menina voltou para casa, ele da embarcação conseguiu vê-la, mas rapidamente a perdeu. Foi um dia agradável, Carolina se tornou a sua “bela mestre” e Augusto o seu “aprendiz” e assim ela o ensinava a bordar. A cada erro dele a menina dava-lha um puxão de orelha e nesse momento suas mãos se apertavam no encontro. 

No domingo seguinte voltou e como tarefa trouxe um lenço bordado, mas Carolina se encheu de ciúme pois o lenço estava perfeito e assim a pobre acreditou que ela havia tomado outra mestre, mas depois de tudo esclarecido, ele tinha pago pelo lenço, voltaram ao que era antes e foram brincar com as bonecas dela. Depois, enquanto caminhavam na praia, Augusto declarou que a amava. 
Quando voltou pra a corte seu pai estava lá e com a chegado do domingo não o permitu que fosse até a ilha, trancou-o no quarto e assim o rapaz adoeceu. Carolina também se mostrava muito infeliz. Até que chegou um homem à ilha e em conferência com D.Ana explicou que o rapaz estava doente. Com a chegada do domingo e também a notícia da melhora de Augusto, Carolina subiu ao rochedo e foi esperá-lo. Junto veio o pai dele. D.Ana e o pai de Augusto ficaram muito tempo a conversar até que os dois amantes foram chamados. 

D. Ana havia concedido a mão da neta a Augusto, perguntaram se ela aceitava o menino, depois de muito acanhamento pediu que dessem a ela meia hora e foi até a gruta. Antes do tempo se dar Augusto foi pra lá, Carolina então lhe disse que antes de aceitá-lo tinha que ter o perdão de sua “mulher” e que ele fosse procurá-la, antes dele sair da gruta Carolina lhe entregou o camafeu de ouro. Ela era sua “mulher”. Filipe, Fabrício e Leopoldo chegaram também à ilha e o noivado foi celebrado. O romance que Augusto devia já estava pronto e chamava-se “A moreninha”.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

VIDAS SECAS - Graciliano Ramos

                                                                   

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
Os abalos sofridos pelo povo brasileiro em torno dos acontecimentos de 1930, a crise econômica provocada pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, a crise cafeeira, a Revolução de 1930, o acelerado declínio do nordeste condicionaram um novo estilo ficcional, notadamente mais adulto, mais amadurecido, mais moderno que se marcaria pela rudeza, por uma linguagem mais brasileira, por um enfoque direto dos fatos, por uma retomada do naturalismo, principalmente no plano da narrativa documental, temos também o romance nordestino, liberdade temática e rigor estilístico.
Os romancistas de 30 caracterizavam-se por adotarem visão crítica das relações sociais, regionalismo ressaltando o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, cidade, o homem devorado pelos problemas que o meio lhe impõe.
Graciliano Ramos (1892-1953) nasceu em Quebrângulo, Alagoas. Estudou em Maceió, mas não cursou nenhuma faculdade. Após breve estada no Rio de Janeiro como revisor dos jornais "Correio da Manhã e A Tarde", passou a fazer jornalismo e política elegendo-se prefeito em 1927.
Foi preso em 1936 sob acusação de comunista e nesta fase escreveu "Memórias do Cárcere", um sério depoimento sobre a realidade brasileira. Depois do cárcere morou no Rio de Janeiro. Em 1945, integrou-se no Partido Comunista Brasileiro.
Graciliano estreou em 1933 com "Caetés", mas é São Berdado, verdadeira obra prima da literatura brasileira. Depois vieram "Angustia" (1936) e Vidas Secas (1938) inspirando-se em Machado de Assis.
Podemos justificar isto com passagens do texto:
"Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos."
"A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas"
"Resolvera de supetão aproveitá-lo (papagaio) como alimento..."
"Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores".
ESTUDO DOS PERSONAGENS
Baleia - cadela da família, tratado como gente, muito querido pelas crianças.
Sinhá Vitória - mulher de Fabiano, sofrida, mãe de 2 filhos, lutadora e inconformada com a miséria em que vivem, trabalha muito na vida.
Fabiano - nordestino pobre, ignorante que desesperadamente procura trabalho, bebe muito e perde dinheiro no jogo.
Filhos - crianças pobres sofridas e que não tem noção da própria miséria que vivem.
Patrão - contratou Fabiano para trabalhar em sua fazenda, era desonesto e explorava os empregados.
Outros personagens: o soldado, seu Inácio (dono do bar).
ESTUDO DA LINGUAGEM
Tipo de discurso: indireto livre
Foco narrativo: terceira pessoa
Adjetivos, figuras de linguagem:
Metáfora: " - você é um bicho, Fabiano".
Prosopopéia: compara Baleia como gente
ANÁLISE DAS IDÉIAS
Comentário Crítico:
Esse livro retrata fielmente a realidade brasileira não só da época em que o livro foi escrito, mas como nos dias de hoje tais como injustiça social, miséria, fome, desigualdade, seca, o que nos remete a idéia de que o homem se animalizou sob condições sub-humanas de sobrevivência.
RESUMO DA OBRA
Mudança
Em meio à paisagem hostil do sertão nordestino, quatro pessoas e uma cachorrinha se arrastam numa peregrinação silenciosa. O menino mais velho, exausto da caminhada sem fim, deita-se no chão, incapaz de prosseguir, o que irrita Fabiano, seu pai, que lhe dá estocadas com a faca no intuito de fazê-lo levantar. Compadecido da situação do pequeno, o pai toma-o nos braços e carrega-o, tornando a viagem ainda mais modorrenta.
A cadela Baleia acompanha o grupo de humanos agora sem a companhia do outro animal da família, um papagaio, que fora sacrificado na véspera a fim de aplacar a fome que se abatia sobre aquelas pessoas. Na verdade, era um papagaio estranho, que pouco falava, talvez porque convivesse com gente que também falava pouco.
Errando por caminhos incertos, Fabiano e família encontram uma fazenda completamente abandonada. Surge a intenção de se fixar por ali. Baleia aparece com um preá entre os dentes, causando grande alegria aos seus donos. Haveria comida. Descendo ao bebedouro dos animais, em meio à lama, Fabiano consegue água. Há uma alegria em seu coração, novos ventos parecem soprar para a sua família. Pensa em Seu Tomás da bolandeira. Pensa na mulher e nos filhos.
A inesperada caça é preparada, o que garante um rápido momento de felicidade ao grupo. No céu, já escuro, uma nuvem - sempre um sinal de esperança. Fabiano deseja estabelecer-se naquela fazenda. Será o dono dela. A vida melhorará para todos.
Fabiano
Em vão Fabiano procura por uma raposa. Apesar do fracasso da empreitada, ele está satisfeito. Pensa na situação da família, errante, passando fome, quando da chegada àquela fazenda. Estavam bem agora. Fabiano se orgulha de vencer as dificuldades tal qual um bicho. Agora ele era um vaqueiro, apesar de não ter um lugar próprio para morar. A fazenda aparentemente abandonada tinha um dono, que logo aparecera e reclamara a posse do local. A solução foi ficar por ali mesmo, servindo ao patrão, tomando conta do local. Na verdade, era uma situação triste, típica de quem não tem nada e vive errante. Sentiu-se novamente um animal, agora com uma conotação negativa. Pouco falava, admirava e tentava imitar a fala difícil das pessoas da cidade. Era um bicho.
A uma pergunta de um dos filhos, Fabiano irrita-se. Para que perguntar as coisas? Conversaria com Sinha Vitória sobre isso. Essas coisas de pensamento não levavam a nada. Seu Tomás da bolandeira, apesar de admirado por Fabiano pelas suas palavras difíceis, não acabara como todo mundo? As palavras, as idéias, seduziam e cansavam Fabiano.
Pensou na brutalidade do patrão, a tratá-lo como um traste. Pensou em Sinha Vitória e seu desejo de possuir uma cama igual à de Seu Tomás da bolandeira. Eles não poderiam ter esse luxo, cambembes que eram. Sentiu-se confuso. Era um forte ou um fraco, um homem ou um bicho? Sentia, por vezes, ímpeto de lutador e fraqueza de derrotado.
Lembrando dos meninos, novamente, achou que, quando as coisas melhorassem, eles poderiam se dar ao luxo daquelas coisas de pensar. Por ora, importante era sobreviver. Enquanto as coisas não melhorassem, falaria com Sinha Vitória sobre a educação dos pequenos.
Cadeia
Fabiano vai à feira comprar mantimentos, querosene e um corte de chita vermelha. Injuriado com a qualidade do querosene e com o preço da chita, resolve beber um pouco de pinga na bodega de seu Inácio. Nisso, um soldado amarelo convida-o para um jogo de cartas. Os dois acabam perdendo, o que irrita o soldado, que provoca Fabiano quando esse está de partida. A idéia do jogo havia sido desastrosa. Perdera dinheiro, não levaria para casa o prometido. Fabiano, agora, pensava em como enganar Sinha Vitória, mas a dificuldade de engendrar um plano o atormentava.
O soldado, provocador, encara o vaqueiro e barra-lhe a passagem. Pisa no pé de Fabiano que, tentando contornar a situação à sua maneira, agüenta os insultos até o possível, terminando por xingar a mãe do soldado amarelo. Destacamento à sua volta. Cadeia. Fabiano é empurrado, humilhado publicamente.
No xadrez, pensa por que havia acontecido tudo aquilo com ele. Não fizera nada, se quisesse até bateria no mirrado amarelo, mas ficara quieto. Em meio a rudes indagações, enfureceu-se, acalmou-se, protestou inocência. Amolou-se com o bêbado e com a quenga que estavam em outra cela. Pensou na família. Se não fosse Sinha Vitória e as crianças, já teria feito uma besteira por ali mesmo. Quando deixaria que um soldadinho daqueles o humilhasse tanto? Arquitetou vinganças, gritou com os outros presos e, no meio de sua incompreensão com os fatos, sentiu a família como um peso a carregar.
Sinha Vitória
Naquele dia, Sinha Vitória amanhecera brava. A noite mal dormida na cama de varas era o motivo de sua zanga. Falara pela manhã, mais uma vez, com Fabiano sobre a dificuldade de dormir naquela cama. Queria uma cama de lastro de couro, como a de Seu Tomás da bolandeira, como a de pessoas normais.
Havia um ano que discutia com o marido a necessidade de uma cama decente e, em meio a uma briga por causa das "extravagâncias" de cada um, Sinha Vitória certa vez ouviu Fabiano dizer-lhe que ela ficava ridícula naqueles sapatos de verniz, caminhando como um papagaio, trôpega, manca. A comparação machucou-a.
Agora, ela irritava-se com o ronco de Fabiano ao lembrar-se de suas palavras. Circulando pela casa, fazia suas tarefas em meio a reza e a atenção ao que acontecia lá fora. Por pensar ainda na cama e na comparação maldosa de Fabiano, quase esqueceu de pôr água na comida. Veio-lhe a lembrança do bebedouro em que só havia lama. Medo da seca. Olhou de novo para seus pés e inevitavelmente achou Fabiano mau. Pensou no papagaio e sentiu pena dele.
Lá fora, os meninos brincavam em meio à sujeira. Dentro de casa, Fabiano roncava forte, seguro, o que indicava a Sinha Vitória que não deveria haver perigo algum por ali. A seca deveria estar longe _ . As coisas, agora, pareciam mais estáveis, apesar de toda a dificuldade. Lembrou-se de como haviam sofrido em suas andanças. Só faltava uma cama. No fundo, até mesmo Fabiano queria uma cama nova.
O Menino mais novo
A imagem altiva do pai foi que lhe fez surgir a idéia. Fabiano, armado como vaqueiro, domava a égua brava com o auxílio de Sinha Vitória. O espetáculo grosseiro excitava o menor dos garotos, impressionado com a façanha do pai e disposto a fazer algo que também impressionasse o irmão mais velho e a cachorra Baleia. No dia seguinte, acordou disposto a imitar a façanha do pai. Para tanto, quis comunicar a intenção ao mano, mas evitou, com medo de ser ridicularizado.
Quando as cabras foram ao bebedouro, levadas pelo menino mais velho e por Baleia, o pequeno tomou o bode como alvo de sua ação. Sentia-se altivo como Fabiano quando montava. No bebedouro, o garoto despencou da ribanceira sobre o animal, que o repeliu. Insistente, tentou se aprumar mas foi sacudido impiedosamente, praticando um involuntário salto mortal que o deixou, tonto, estatelado ao chão. O irmão mais velho ria sem parar do ridículo espetáculo, Baleia parecia desaprovar toda aquela loucura. Fatalmente seria repreendido pelos pais. Retirou-se humilhado, alimentando a raivosa certeza de que seria grande, usaria roupas de vaqueiro, fumaria cigarros e faria coisas que deixariam Baleia e o irmão admirados.
O Menino mais velho
Aquela palavra tinha chamado a sua atenção: inferno. Perguntou à Sinha Vitória, vaga na resposta. Perguntou a Fabiano, que o ignorou. Na volta à Sinha Vitória, indagou se ela já tinha visto o inferno. Levou um cascudo e fugiu indignado. Baleia fez-lhe companhia tentando alegrá-lo naquela hora difícil.
Decidiu contar à cachorrinha uma história, mas o seu vocabulário era muito restrito, quase igual ao do papagaio que morrera na viagem. Só Baleia era sua amiga naquele momento. Por que tanta zanga com uma palavra tão bonita ? A culpa era de Sinha Terta, que usara aquela palavra na véspera, maravilhando o ouvido atento do garoto mais velho.
Olhou para o céu e sentiu-se melancólico. Como poderiam existir estrelas? Pensou novamente no inferno. Deveria ser, sim, um lugar ruim e perigoso, cheio de jararacas e pessoas levando cascudos e pancadas com a bainha da faca. Sempre intrigado, abraçou-se à Baleia como refúgio.
Inverno
Todos estavam reunidos em volta do fogo, procurando aplacar o frio causado pelo vento e pela água que agitava a paisagem fora da casa. Chegara o inverno, e isso reunia a família próxima à fogueira. Pai e mãe conversavam daquele jeito de sempre, estranho, e os meninos, deitados, ficavam ouvindo as histórias inventadas por Fabiano, de feitos que ele nunca tinha realizado, aventuras nunca vividas. Quando o mais velho levantou-se para buscar mais lenha, foi repreendido severamente pelo pai, aborrecido pela interrupção de sua narrativa.
A chuva dava à família a certeza de que a seca não chegaria por enquanto. Isso alegrava Fabiano. Sinha Vitória, porém, temia por uma inundação que os fizesse subir ao morro, novamente errantes. A água, lá fora, ampliava sua invasão.
Fabiano empolgava-se mais ainda em contar suas façanhas. A chuva tinha vindo em boa hora. Após a humilhação na cidade, decidira que, com a chegada da seca, abandonaria a família e partiria para a vingança contra o soldado amarelo e demais autoridades que lhe atravessassem o caminho. A chegada das águas interrompera aqueles planos sinistros. Em meio à narrativa empolgada, Fabiano imaginava que as coisas melhorariam a partir dali; quem sabe, Sinha Vitória até pudesse ter a cama tão desejada.
Para o filho mais novo, o escuro e as sombras geradas pela fogueira faziam da imagem do pai algo grotesco, exagerado. Para o mais velho, a alteração feita por Fabiano na história que contava era motivo de desconfiança. Algo não cheirava bem naquele enredo. Sempre pensativo, o menino mais velho dormiu pensando na falha do pai e nos sapos que estariam lá fora, no frio.
Baleia, incomodada com a arenga de Fabiano, procurava sossego naquela paisagem interior. Queria dormir em paz, ouvindo o barulho de fora.
Festa
A família foi à festa de Natal na cidade. Todos vestidos com suas melhores roupas, num traje pouco comum às suas figuras, o que lhes dava um ar ridículo. A caminhada longa tornava-se ainda mais cansativa por causa daquelas roupas e sapatos apertados. O mal-estar era geral, até que Fabiano cansou-se da situação e tirou os sapatos, metendo as meias no bolso, livrando-se ainda do paletó e da gravata que o sufocava. Os demais fizeram o mesmo. Voltaram ao seu natural. Baleia juntou-se ao grupo.
Chegando à cidade, foram todos lavar-se à beira de um riacho antes de se integrarem à festa. Sinha Vitória carregava um guarda-chuva. Fabiano marchava teso. Os meninos maravilham-se, assustados, com tantas luzes e gente. A igreja, com as imagens nos altares, encantou-os mais ainda. O pai espremia-se no meio da multidão, sentindo-se cercado de inimigos. Sentia-se mangado por aquelas pessoas que o viam em trajes estranhos à sua bruta feição. Ninguém na cidade era bom. Lembrou-se da humilhação imposta pelo soldado amarelo quando estivera pela última vez na cidade.
A família saiu da igreja e foi ver o carrossel e as barracas de jogos. Como Sinha Vitória negou-lhe uma aposta no bozó, Fabiano afastou-se da família e foi beber pinga. Embriagando-se, foi ficando valente. Imaginava, com raiva, por onde andava o soldado amarelo. Queria esganá-lo. No meio da multidão, gritava, provocava um inimigo imaginário. Queria bater em alguém, poderia matar se fosse o caso. Vez ou outra, interrompia suas imprecações para uma confusa reflexão. Cansado do seu próprio teatro, Fabiano deitou no chão, fez das suas roupas um travesseiro e dormiu pesadamente.
Sinha Vitória, aflita, tinha que olhar os meninos, não podia deixar o marido naquele estado. Tomando coragem para realizar o que mais queria naquele momento, discretamente esgueirou-se para uma esquina e ali mesmo urinou. Em seguida, para completar o momento de satisfação, pitou num cachimbo de barro pensando numa cama igual à de seu Tomas da bolandeira .
Os meninos também estavam aflitos. Baleia sumira na confusão de pessoas, e o medo de que ela se perdesse e não mais voltasse era grande. Para alívio dos pequenos, a cachorrinha surge de repente e acaba com a tensão. Restava, agora, aos pequenos, o maravilhamento com tudo de novo que viam. O menor perguntou ao mais velho se tudo aquilo tinha sido feito por gente. A dúvida do maior era se todas aquelas coisas teriam nome. Como os homens poderiam guardar tantas palavras para nomear as coisas?
Distante de tudo, Fabiano roncava e sonhava com soldados amarelos.
Baleia
Pêlos caídos, feridas na boca e inchaço nos beiços debilitaram Baleia de tal modo que Fabiano achou que ela estivesse com raiva. Resolveu sacrificá-la. Sinha Vitória recolheu os meninos, desconfiados, a fim de evitar-lhes a cena.
Baleia era considerada como um membro da família, por isso os meninos protestaram, tentando sair ao terreiro para impedir a trágica atitude do pai. Sinha Vitória lutava com os pequenos, porque aquilo era necessário, mas aos primeiros movimentos do marido para a execução, lamentou o fato de que ele não tivesse esperado mais para confirmar a doença da cachorrinha.
Ao primeiro tiro, que pegou o traseiro da cachorra e inutilizou-lhe uma perna, as crianças começaram a chorar desesperadamente.
Começou, lá fora, o jogo estratégico da caça e do caçador. Baleia sentia o fim próximo, tentava esconder-se e até desejou morder Fabiano. Um nevoeiro turvava a visão da cachorrinha, havia um cheiro bom de preás. Em meio à agonia, tinha raiva de Fabiano, mas também o via como o companheiro de muito tempo. A vigilância às cabras, Fabiano, Sinha Vitória e as crianças surgiam à Baleia em meio a uma inundação de preás que invadiam a cozinha. Dores e arrepios. Sono. A morte estava chegando para Baleia.
Contas
Fabiano retirava para si parte do que rendiam os cabritos e os bezerros. Na hora de fazer o acerto de contas com o patrão, sempre tinha a sensação de que havia sido enganado. Ao longo do tempo, com a produção escassa, não conseguia dinheiro e endividava-se.
Naquele dia, mais uma vez Fabiano pedira a Sinha Vitória para que ela fizesse as contas. O patrão, novamente, mostrou-lhe outros números. Os juros causavam a diferença, explicava o outro. Fabiano reclamou, havia engano, sim senhor, e aí foi o patrão quem estrilou. Se ele desconfiava, que fosse procurar outro emprego. Submisso, Fabiano pediu desculpas e saiu arrasado, pensando mesmo que Sinha Vitória era quem errara.
Na rua, voltou-lhe a raiva. Lembrou-se do dia em que fora vender um porco na cidade e o fiscal da prefeitura exigira o pagamento do imposto sobre a venda. Fabiano desconversou e disse que não iria mais vender o animal. Foi a uma outra rua negociar e, pego em flagrante, decidiu nunca mais criar porcos.
Pensou na dificuldade de sua vida. Bom seria se pudesse largar aquela exploração. Mas não podia! Seu destino era trabalhar para os outros, assim como fora com seu pai e seu avô.
As notas em sua mão impressionavam-no. "Juros", palavra difícil que os homens usavam quando queriam enganar os outros. Era sempre assim: bastavam palavras difíceis para lograr os menos espertos. Contou e recontou o dinheiro com raiva de todas aquelas pessoas da cidade. Sinha Vitória é que entendia seus pensamentos.
Teve vontade de entrar na bodega de seu Inácio e tomar uma pinga. Lembrou-se da humilhação passada ali mesmo e decidiu ir para casa. o céu, várias estrelas. Deixou de lado a lembrança dos inimigos e pensou na família. Sentiu dó da cachorra Baleia. Ela era um membro da família.
O Soldado Amarelo
Procurando uma égua fugida, Fabiano meteu-se por uma vereda e teve o cabresto embaraçado na vegetação local. Facão em punho, começou a cortar as quipás e palmatórias que impediam o prosseguimento da busca. Nesse momento, depara-se com o soldado amarelo que o humilhara um ano atrás. O cruzar de olhos e o reconhecimento durou fração de segundos. O suficiente para que Fabiano esfolasse o inimigo. O soldado claramente tremia de medo. Também reconhecera o desafeto antigo e pressentia o perigo.
Fabiano irritou-se com a cena. O outro era um nadica. Poderia matá-lo com as mãos, sem armas, se quisesse. A fragilidade do outro aos poucos foi aplacando a raiva de Fabiano. Ponderou que ele mesmo poderia ter evitado a noite na cadeia se não tivesse xingado a mãe do amarelo. No meio daquela paisagem isolada e hostil, só os dois, e se ele pedisse passagem ao soldado? Aproximou-se do outro pensando que já tinha sido mais valente, mais ousado. Na verdade, na fração de segundo interminável Fabiano ia descobrindo-se amedrontado. Se ele era um homem de bem, para que arruinar a sua vida matando uma autoridade? Guardaria forças para inimigo maior.
Sentindo o inimigo acovardado, o soldado ganhou força. Avançou firme e perguntou o caminho. Fabiano tirou o chapéu numa reverência e ainda ensinou o caminho ao amarelo.
O Mundo Coberto de Penas
A invasão daquele bando de aves denunciava a chegada da seca. Roubavam a água do gado, matariam bois e cabras. Sinha Vitória inquietou-se. Fabiano quis ignorar, mas não pôde; a mulher tinha razão. Caminhou até o bebedouro, onde as aves confirmavam o anúncio da seca. Eram muitas. Um tiro de espingarda eliminou cinco, seis delas, mas eram muitas. Fabiano tinha certeza, agora, de uma nova peregrinação, uma nova fuga.
Era só desgraça atrás de desgraça. Sempre fugido, sempre pequeno. Fabiano não se conformava, pensava com raiva no soldado amarelo, achava-se um covarde, um fraco. Irado, matou mais e mais aves. Serviriam de comida, mas até quando ? Quem sabe a seca não chegasse...Era sempre uma esperança. Mas o céu escuro de arribações só confirmava a triste situação. Elas cobriam o mundo de penas, matando o gado, tocando a ele e à família dali, quem sabe comendo-os.
Recolheu os cadáveres das aves e sentiu uma confusão de imagens em sua cabeça. Aquele lugar não era bom de se viver. Lembrou-se de Baleia, tentou se convencer de que não fizera errado em matá-la, pensou de novo na família e no que as arribações representavam. Sim, era necessário ir embora daquele lugar maldito. Sinha Vitória era inteligente, saberia entender a urgência dos fatos.
Fuga
O céu muito azul, as últimas arribações e os animais em estado de miséria indicavam a Fabiano que a permanência naquela fazenda estava esgotada. Chegou um ponto em que, dos animais, só sobrou um bezerro, que foi morto para servir de comida na viagem que se faria no dia seguinte.
Partiram de madrugada, abandonando tudo como encontraram. O caminho era o do sul. O grupo era o mesmo que errava como das outras vezes. Fabiano, no fundo, não queria partir, mas as circunstâncias convenciam-no da necessidade.
A vermelhidão do céu, o azul que viria depois assustavam Fabiano. Baleia era uma imagem constante em seus confusos pensamentos. Sinha Vitória também fraquejava. Queria, precisava falar. Aproximou-se do marido e disse coisas desconexas, que foram respondidas no mesmo nível de atrapalhação.

Na verdade, ele gostou que ela tivesse puxado conversa. Ela tentou animar o marido, quem sabe a vida fosse melhor, longe dali, com uma nova ocupação para ele. Marido e mulher elogiam-se mutuamente; ele é forte, agüenta caminhar léguas, ela, tem pernas grossas e nádegas volumosas, agüenta também. A cidade, talvez, fosse melhor. Até uma cama poderiam arranjar. Por que haveriam de viver sempre como bichos fugidos?
Os meninos, longe, despertavam especulações ao casal. O que seriam quando crescessem? Sinha Vitória não queria que fossem vaqueiros. O cansaço ia chegando à medida que avançava a caminhada, e assim houve uma parada para descanso. Novamente marido e mulher conversavam, fazendo planos, temendo o mau agouro das aves que voavam no céu.
Sinha Vitória acordou os pequenos, que dormiam, e seguiu-se viagem. Fabiano ainda admirou a vitalidade da mulher. Era forte mesmo! Assim, a cada passo arrastado do grupo um mundo de novas perspectivas ia sendo criado. Sinha Vitória falava e estimulava Fabiano. Sim, deveria haveria uma nova terra, cheia de oportunidades, distante do sertão a formar homens brutos e fortes como eles.

domingo, 22 de agosto de 2010

NOVOS LIVROS PARA POSTAR - NÃO DEIXEM DE LÊ

UM SEGUIDOR DO BOGGER PEDIU QUE O LIVRO VIDAS SECAS SEJA POSTADO. AMANHÃ DIA 23/08 LEIA GRACILIANO RAMOS, EM "VIDAS SECAS"

HARRY POTTER e as RELIQUIAS DA MORTE

Harry Potter é sem dúvida uma saga muito lida pelas crianças de hoje. Portanto, a expectativa não poderia ser maior para livro final da série. Mas, desta vez, J.K.Rowling desapontou os fãs com a trama, aquela mesma que havia cativado leitores de todas as idades anteriormente por seu frescor e originalidade. O livro não é ruim, é claro, e é leitura obrigatória para todos os maníacos por Harry Potter, este autor incluso. Aqui vemos Harry e seus amigos indo ao casamento de Bill e Fleur, onde são atacados pelos Comensais da Morte. Nossos heróis escapam e descobrem que o Ministério da Magia foi dominado pelos seguidores de Voldemort, que ordenaram a perseguição de todos os bruxos e bruxas mestiços. A Ordem da Fênix teve que se esconder e é nesta situação que Harry, Ron e Hermione lutam para localizar os outros Hocruxes. Eles descobrem que o medalhão encontrado na caverna por Harry na noite da morte de Dumbledore fora colocado ali pelo irmão de Sirius Black. É aqui que, na minha opinião, a autora perde um pouco o controle da trama, pois é introduzido um novo tópico: as Relíquias da Morte. A primeira relíquia é uma varinha mágica que é mais poderosa do que todas as outras. A segunda é um manto que torna seu usuário invisível. A terceira é um anel que traz as pessoas de volta à vida. Voldemort sabe sobre a varinha e a encontra, ironicamente, no túmulo de Dumbledore, pois era a sua varinha em vida. Harry e seus amigos conseguem destruir todos os Hocruxes, com exceção de Nagini e um outro. Neville mata Nagini com a espada de Godrig Gryffindor e aqui é que finalmente se descobre se Snape está do lado de Harry ou de Voldemort. Nesse ponto revela-se um importante segredo sobre Voldemort e o motivo da morte de Dumbledore. Com a ajuda de seus amigos, Harry liberta a escola das mãos dos Comensais da Morte e então se dá a batalha final entre ele e Voldemort. Os aspectos positivos do livro são os segredos finalmente revelados, como por exemplo, por que Dumbledore luta com Grindelwad, assim como a verdade sobre Snape, o que possibilita entender suas ações. O principal ponto negativo é que muitos personagens morrem. A luta entre Voldemort e Harry também é decepcionante. É incompreensível como nosso herói pode sobreviver a esta luta (não que ele sobreviva no final do livro) sem o conhecimento de feitiços que Hermione tem. Os feitiços que Harry usa contra Voldemort são uma grande decepção também. Em resumo, este é um livro que os Potter-maníacos não podem ignorar.

sábado, 21 de agosto de 2010

Harry Potter e o enigma do Príncipe

Harry Potter e o enigma do Príncipe dá continuidade à saga do jovem bruxo Harry Potter a partir do ponto onde o livro anterior parou, o momento em que fica provado que o poder de Voldemort e dos Comensais da Morte, seus seguidores, cresce mais a cada dia, em meio à batalha entre o bem e o mal. A onda de terror provocada pelo Lorde das Trevas estaria afetando, até mesmo, o mundo dos trouxas (não-bruxos), e sendo agravada pela ação dos dementadores, criaturas mágicas aterrorizantes que "sugam" a esperança e a felicidade das pessoas.
Harry, que acabou de completar 16 anos, parte rumo ao sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, animado e, ao mesmo tempo, apreensivo com a perspectiva de ter aulas particulares com o professor Dumbledore, o diretor da escola e o bruxo mais respeitado em toda comunidade mágica.
Harry, longe de ser aquele menino magricela que vivia no quarto debaixo da escada na casa dos tios trouxas, é um dos principais nomes entre aqueles que lutam contra Voldemort, e se vê cada vez mais isolado à medida em que os rumores de que ele é O Eleito, o único capaz de derrotar o Lorde das Trevas, se espalham pelo mundo bruxo. Dois atentados contra a vida de estudantes, a certeza de Harry quanto ao envolvimento de Draco Malfoy com os Comensais da Morte e o comportamento de Snape, suspeito como sempre, adicionam ainda mais tensão ao já inquietante período.
Apesar de tudo isso, ele e os amigos são adolescentes típicos: dividem tarefas escolares e dormitórios bagunçados, correm das aulas para os treinos de quadribol, e namoram. Rony e Hermione, os melhores amigos de Harry, se dão conta (finalmente!) da atração que sentem um pelo outro; Harry e a Gina, a irmã mais nova de Rony, também.
Muitas peças do intricado quebra-cabeça criado por JK Rowling começam a se encaixar, à medida em que a escritora começa a preparar Harry (e os leitores) para o desfecho da série. Informações são reveladas por meio do uso da Penseira, um objeto que permite compartilhar memórias, utilizado por Harry e o professor Dumbledore para viajar no tempo, e por diferentes lugares, em busca de explicações sobre o passado de Voldemort.
O final de Harry Potter e o enigma do Príncipe é de parar o coração. Mais uma vez, somos testemunhas da habilidade singular de Jo - como a criadora da série gosta de ser chamada - em misturar, num mesmo caldeirão, literatura, mitologia, folclore e religião.
Alguém tem alguma dúvida sobre qual será o lançamento literário mais aguardado daqui por diante?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

HARRY POTTER E A ORDEM DO FENIX


                                                            

O livro começa com uma reunião entre o Primeiro Ministro inglês e Fudge, onde ele anuncia que um novo Ministro de Mágica foi escolhido e que os acontecimentos estranhos nos jornais britânicos foram causados por mágica (o novo Ministro de Mágica não é um personagem conhecido, ele foi chefe dos Aurors anteriormente, seu nome é Rufus Scrimgeout).
Narcissa (mãe de Malfoy) e sua irmã Bellatrix vão à casa de Snape: Narcissa está desesperada porque Voldermort recrutou Draco para uma missão e ela tem certeza de que seu filho acabará morrendo, ela pede a ajuda de Snape. Bellatrix não confia em Snape e tenta evitar que Narcissa conte qualquer detalhe do plano para Snape (ele provavelmente não sabia qual era a missão, mas fingiu que sabia para que Narcissa e Bellatrix contasem o máximo de detalhes a ele), ela acredita que Snape está ajudando Dumbledore. Tentando provar que ele está do lado de Voldermort, Snape acaba sendo levado a fazer um Unbreakable Vow para proteger Draco, e se ele não conseguir cumprir qualquer que seja esta missão, Snape cumprirá para ele.
O terceiro capítulo começa com Harry em Privet Drive cochilando na janela: Dumbledore enviou uma carta dizendo que iria chegar naquele dia às 11 da noite e levá-lo para a casa dos Weasley, mas Harry não sabia se acreditava que ele viria mesmo ou não. Durante o verão, Harry acompanhou as reportagens do Daily Prophet, que indicavam que ele era “o escolhido” em profecia para acabar com Voldermort – mas logicamente, ninguém tem provas, já que as únicas duas pessoas que sabem da profecia são Dumbledore e Harry. Dumbledore cumpre a promessa e chega, surpreendendo os Dursley (e com uma das mãos machucadas, preta, mas ele não diz o que houve). Ele conversa com os Dursley, novamente explicando que Harry tem que ficar com eles até completar 17 anos no ano seguinte durante o verão, comunica a Harry que ele é o herdeiro da casa da família Black (incluindo o house-elf Kreacher) e que a Ordem não está se reunindo na casa até eles terem certeza que outros membros da família Black não terão acesso à casa e que não existe nenhum encanto prevenindo Harry de herdar o local. Dumbledore faz um teste chamando Kreacher, que se obedecer as ordens de Harry, provará que ele é seu novo mestre – Harry manda Kreacher para Hogwarts, para trabalhar com os outros house-elves do lugar. Harry também herda Buckbeak, o hippogriff que ajudou Sirius a escapar, e pede a Dumbledore que Hagrid passe a tomar conta de Buckbeak – agora renomeado para Witherwings para não atrair suspeitas de que ele foi o hippogriff que fugiu do Ministro de Mágica anteriormente.
Harry e Dumbledore partem para a casa dos Weasley. Harry não tem ainda permissão para Disapparate (Desaparecer) então Dumbledore o leva junto, mas fazem uma parada em outra casa no caminho: Dumbledore precisa de um novo professor, já que novamente o posto de Defense Against the Dark Arts está vago. Ele está tentando recrutar um amigo antigo, professor Slughorn – ele foi Chefe da Slytherin, e estava sempre cercado por seus estudantes “favoritos”: alunos que ele acreditava que seriam alguém importante no futuro. A mãe de Harry foi uma destas estudantes. Depois de uma conversa rápida com Harry, ele decide voltar a ser professor e Harry não tem certeza se gostou dele ou não (ele fez alguns comentários preconceituosos). Dumbledore diz a Harry que vai dar aulas particulares a ele este ano.
Eles chegam finalmente a casa dos Weasleys – Tonks está na cozinha com Mrs. Weasly, e Harry acha que ela parece estar doente. Mr. Weasley foi promovido pelo novo Ministro e agora cuida do departamento que fiscaliza amuletos e encantamentos de defesa (depois que foi anunciada a volta de Voldermort, toda sorte de amuletos, simpatias e outras bobagens estão sendo vendidas – algumas além de funcionarem, são perigosas e precisam ser apreendidas). Harry não é o único hóspede na casa: Hermione e Fleur Delacoeur, participante do Triwizard Tournament no quarto ano, é agora noiva de Bill. Hermione, Ginny e Mrs Weasley não gostam muito de Fleur, acham que ela é chata e superficial. Elas prefeririam que Bill se casasse com Tonks, que eles imaginam, está doente porque se sente culpada pela morte de Sirius. Harry finalmente conta para Ron e Hermione o que a profecia realmente diz. Antes do final do dia, eles recebem suas O.W.L.S.: Harry e Ron tem 7 OWLS cada e Hermione, todas (11). Harry fica um pouco chateado já que ele não conseguiu a nota máxima em Potions, o que significa que ele não poderá continuar seus estudos e portanto, não poderá se tornar um Auror.
O verão vai passando marcado por várias notícias de ataques, desaparecimentos e suspeitas de atividades dos Death Eaters. Eles finalmente recebem suas listas de material escolar para o ano e Harry tem uma agradável surpresa: ele será o capitão do time de Quidditch. Em sua visita anual a Diagon Alley (mais deserta agora que todos estão com medo de ataques), Harry, Hermione e Ron encontram Malfoy por duas vezes, sendo que na segunda ele se desvencilhou de sua mãe e foi sozinho até uma loja de magia negra onde Harry uma vez foi enviado por engano. Eles o seguem usando a capa invisível e escutam a conversa de Malfoy (que exige o conserto de um determinado objeto). Harry desconfia que ele está trabalhando para Voldermort, mas não consegue descobrir do que ele está falando. O ponto alto da visita é a loja de Fred e George, que estão indo muito bem com suas invenções.
Harry continua preocupado com as atitudes de Malfoy e acha que ele é um Death Eater, mas Ron e Hermione acham que ele está exagerando. No trem a caminho da escola, Harry e Neville são convidados para almoçar com o novo professor. Eles rapidamente descobrem que os convidados são todos estudantes que tem famílias famosas ou influentes, menos Ginny – Slughorn viu Ginny fazer um dos encantamentos que Harry ensinou nas aulas de D.A. e ficou impressionado, convidando-a também. No final do almoço, voltando ao seu compartimento com Neville e Ginny, Harry decide seguir um dos Slytherins que também estava voltando para espionar Malfoy. Ele coloca sua capa invisível e o segue, entrando no compartimento onde está Malfoy e seus fiéis comparsas. Harry escuta a conversa e suas suspeitas crescem quando Malfoy diz que acha que não estará em Hogwarts no ano seguinte, porque terá coisas mais importantes para fazer para Voldermort. Os colegas não acreditam muito, dizem que ele só tem dezesseis anos, ao que ele responde que Voldermort não liga para idade e sim pro que ele pode fazer. Chegando a Hogwarts, Malfoy deixa todo mundo sair do compartimento e fecha a porta, lançando um encantamento diretamente em Harry, que é paralisado. Ele chuta Harry no nariz, e vai embora, deixando-o coberto pela capa invisível e paralisado no chão do trem.
Tonks encontra Harry no trem, “conserta” o nariz quebrado e ele chega atrasado a Hogwarts, logo após os novos estudantes terem sido sorteados entre as casas. Uma surpresa é então anunciada: Slughorn, ao contrário do que Harry imaginava, será o novo professor de Potions, enquanto Snape será o novo professor de Defense Against the Dark Arts.
Agora estudantes do sexto ano, eles escolhem as matérias que vão continuar estudando de acordo com os resultados das O.W.L.S. Harry tem uma grata surpresa: agora que Slughorn é o professor de Potions, ele não precisa da nota máxima para continuar a matéria, o que lhe dá a chance de estudar tudo o que ele precisa para se tornar um Auror, assim como Ron. Professora McGonagall conta a Harry que muitos estudantes se inscreveram para o time de Quidditch este ano e ele terá que selecionar os novos jogadores em breve. O romance está no ar: Lavender demonstra interesse em Ron. Na aula de Defense Against the Dark Arts, os alunos começam a aprender encantamentos silenciosos. Dumbledore marca a sua primeira aula particular com Harry. Na aula de Potions, Professor Slughorn empresta os livros para Harry e Ron, já que eles não esperavam estar nessa turma e não compraram o material. O livro de Harry está cheio de anotações sobre as poções, que a princípio o deixam irritado, mas que surpreendentemente fazem a sua primeira poção a melhor da classe, deixando Hermione irritadíssima (já que ela seguiu as instruções do livro e Harry teve as dicas de quem quer que tenha feito as anotações). Como prêmio, Harry ganha uma poção chamada Felix Felicitus, ou como Hermione definiu: sorte líquida. Hermione fica preocupada com as anotações do livro e quem seria o autor, Ginny também fica preocupada (lembrando de quando ela leu o diário de Tom Riddle no seu primeiro ano) e eles verificam se existe algum encantamento no livro, mas não há nada. A assinatura, entretando é misteriosa: “Este livro pertence ao Half-Blood Prince”.
Harry continua seguindo as anotações do livro nas aulas seguintes e todas as suas poções dão certo, para deleite de Slughorn. Em alguns lugares do livro, Harry vê também anotações de encantos que o Half-Blood Prince teria criado. Eles tentam imaginar quem teria sido o dono do livro, mas não tem nenhuma pista. Harry tem a sua primeira “aula” com Dumbledore, que na verdade, é uma incursão aos pensamentos de diferentes pessoas envolvidas no passado de Voldermort, através da Pensieve que Dumbledore tem em seu escritório. Dumbledore autoriza Harry a contar as histórias que ele vê na Pensieve para Ron e Hermione, e pede que somente eles sejam os confidentes de Harry.
Harry escolhe o novo time de Quidditch de Gryffindor, Ginny agora joga como atacante e Ron continua a ser o goleiro – graças à Hermione, que fez um encantamento para que o outro candidato a goleiro não conseguisse defender o último gol, mas Ron não sabe de nada.
Na primeira visita à Hogsmeade do ano, por causa do tempo ruim, Harry, Ron e Hermione decidem voltar para Hogwarts cedo. Na caminhada de volta, Katie Bell, jogadora de Gryffindor, é enfeitiçada por um colar. Katie é levada para a enfermaria e Harry suspeita de Malfoy, pois o colar é o mesmo que eles viram na loja de magia negra em Diagon Alley antes das aulas começarem. Katie tinha sido enfeitiçada com Imperius Curse, que faz com que a pessoa seja controlada por quem quer que a tenha enfeitiçado, enquanto estava no banheiro do bar Three Broomsticks e então teria recebido o colar.
Dumbledore tem outra aula com Harry e eles vêem outra parte do passado de Voldermort: sua mãe morreu logo depois do parto e o deixou apenas seu nome, Tom Marvolo Riddle. Ele viveu em um orfanato até seus onze anos, quando Dumbledore o convidou para estudar em Hogwarts. Desde criança ele já tinha controle de seus poderes e usava mágica para machucar pessoas que o incomodavam, se achava melhor do que os outros, já falava com cobras e não gostava do seu nome, Tom, porque era muito comum. Também não queria a ajuda de ninguém e só fazia tudo sozinho – ele não tinha e nunca teve amigos, tinha comparsas ou serventes. Ele também roubava e colecionava troféus: objetos de suas vítimas.
Harry continua “fugindo” das festinhas que Slughorn promove para seus alunos favoritos – e como Hermione também é uma das convidadas, Ron fica se sentindo de fora. Quando a festa de Natal foi mencionada, Ron, furioso, começou a falar mal do “clube Slughorn” ao que Hermione respondeu que eles podem trazer convidados para essa festa e que ela estava pensando em convidar Ron para ir com ela. Harry fica preocupado se seus amigos vão namorar e se isso vai alterar a amizade deles, principalmente se eles terminarem depois. Mas Harry tem seu próprio ciúme a controlar: depois de entrar na área comum na torre de Gryffindor e ver Ginny e Dean se beijando, ele fica tentando entender o que sente pela irmã de seu melhor amigo. Ron, por sua vez, tem um ataque ao ver Ginny e Dean, o que acaba em uma briga feia com Ginny dizendo que ele devia era arrumar uma namorada e dar uns beijos para resolver o seu problema – acrescentando que Harry já tinha beijado Cho Chang e Hermione tinha beijado Viktor Krum, e só ele ainda não tinha beijado ninguém. Ron fica possesso, mais ainda por ouvir que Hermione beijou Viktor, e sua raiva dura por dias e dias, afetando inclusive a sua performance como goleiro do time de Quidditch.
Mas Harry tem uma idéia para ajudar o amigo a jogar melhor: ele finge colocar a poção da sorte no suco de Ron durante o café da manhã. Hermione vê o que Harry está fazendo e acredita que ele realmente colocou a poção no suco, e tenta advertir Ron, mas Harry diz que não fez nada e eles não ligam. Ron, acreditando que tomou a poção, tem o seu melhor desempenho, Ginny faz muitos gols, Harry pega o Snitch e Gryffindor ganha o jogo contra Slytherin facilmente. Na comemoração, Harry abraça Ginny mas rapidamente fica envergonhado e a deixa ir. Todos vão para a torre de Gryffindor comemorar, mas Hermione antes briga com Harry a respeito da poção, e ele finalmente conta o seu plano para Hermione e Ron, dizendo que fingiu ter colocado a poção para que Ron ficasse mais tranqüilo e jogasse melhor. Ron fica ofendido por Hermione achar que ele só jogou bem por causa da poção e eles brigam. Ela sai chorando, e Harry fica se sentindo mal por seus amigos terem brigado novamente. Harry vai para a festa e tenta encontrar Ron, que está num canto beijando Lavender. Hermione fica triste e se esconde em uma sala deserta. Harry a segue e tenta consolá-la, mas Ron, que o seguiu com Lavender, entra na sala também. Hermione, morta de ciúmes, conjura pássaros que atacam Ron e vai embora.
Ron e Lavender continuam namorando, e infelizmente Harry vê seus melhores amigos novamente sem se falar, já que Hermione, enciumada, não chega nem perto de Ron. Harry tem que escolher seu par para a festa de Natal e várias meninas tentam fazê-lo beber uma poção de amor, mas alertado por Hermione, ele consegue escapar. Ele convida Luna Lovegood – como amigos – já que ele gostaria mesmo era de convidar Ginny, mas ela continua namorando Dean Thomas. Hermione convida Cormac McLaggen para a festa, o goleiro que quase fez parte do time de Quidditch, para enciumar Ron. Durante a festa, Malfoy tenta entrar de penetra e é pego. Snape retira Malfoy da festa, Harry coloca sua capa invisível e os segue. Harry escuta Snape dizendo que quer ajudar Malfoy, já que ele fez um Unbreakable Vow, mas Malfoy não confia em Snape e não quer contar qual é o seu plano.
Ron conta a Harry que um Unbreakable Vow é muito sério e que a punição para quem não cumpre o que prometeu é a morte. Harry aproveita a festa de Natal na casa dos Weasley para contar suas suspeitas a respeito de Snape e Malfoy para os membros da Ordem da Fênix, mas eles dizem que Dumbledore confia em Snape e que como espião, ele precisa fazer Malfoy acreditar nele. Harry fica frustrado mas vê que não tem jeito de convencê-los. No almoço do dia seguinte, Harry recebe a visita do Ministro de Mágica (que para alegria de Mrs. Weasley, usa a companhia de Percy e a desculpa de que Percy estava visitando sua família para vir junto e falar com Harry), que tenta convencê-lo novamente a ajudá-lo, mas Harry mantém sua posição.
Os alunos do sexto ano começam a ter aulas para aprender a Desaparecer, e todos estão animados, mas as aulas são muito difíceis e de pouco progresso.
Dumbledore continua a mostrar memórias de Voldermort para Harry, e uma delas envolve o professor Slughorn e Horcruxes. Mas Dumbledore diz a Harry que esta memória não é totalmente real, pois seu dono (Slughorn) modificou a memória para que ninguém soubesse o que realmente aconteceu. Harry tem então que convencer Slughorn a contar o que aconteceu para que Dumbledore possa decifrar um dos segredos de Voldermort.
No dia de seu aniversário, Ron come chocolates com poção de amor que tinham sido dados a Harry, e para que seu amigo receba um antídoto, Harry o leva até Slughorn. Ao invés de antídoto, Ron acaba tomando um veneno, mas felizmente Harry consegue salvar o amigo dando a ele um antídoto que ele usou durante a aula. Depois do colar que deixou Katie Bell no hospital, agora alguém tinha colocado veneno em uma bebida no escritório de Slughorn (que ele tinha comprado para dar a Dumbledore). Ron fica no hospital e Hermione vai visitá-lo, o que deixa Lavender com ciúmes. McLaggen joga de goleiro já que Ron está no hospital e causa tanta confusão que Gryffindor perde e ele ainda atinge Harry, que vai parar no hospital também.
Depois que Harry sai do hospital e encontra novamente Dumbledore, ele descobre que Voldermort queria o posto de professor de Defense Against the Dark Arts, e que depois que Dumbledore negou o posto a Voldermort, nenhum dos professores jamais passou de um ano no cargo.
Harry descobre que Malfoy tem usado o Room of Requirement, uma sala que Harry usou no ano anterior para dar aulas para sua turma de D.A. e que muda de aparência conforme a necessidade da pessoa que precisa usá-la. Mas ele nunca consegue entrar na sala, então não pode descobrir o que Malfoy anda fazendo.
Hagrid convida Ron, Harry e Hermione para o enterro de Aragog, a aranha gigante que vivia na floresta, mas eles decidem não ir. Harry está desesperado porque não consegue fazer Slughorn confessar o que aconteceu na memória que ele conversa com Voldermort, e decide tomar a poção da sorte e falar com ele novamente. Favorecido pela poção, Harry decide ir até a casa de Hagrid para o enterro, e encontra com Slughorn, que se interessa pela história de Aragog já que as aranhas gigantes tem um poderoso veneno que é vendido por muito dinheiro. Slughorn acompanha Harry, acaba se embebedando com Hagrid após o enterro e dá a ele a memória que Dumbledore precisava.
Nela, Slughorn explica para Voldermort o que são Horcruxes: objetos que guardam pedaços da alma de uma pessoa, o que faz com que se o corpo dessa pessoa morrer, o pedaço da alma guardado garante que essa pessoa não morra de verdade. Dumbledore confirma então sua teoria que foi desta forma que Voldermort conseguiu voltar, após ter teoricamente morrido quando Harry era um bebê. Dumbledore acredita que Voldermort fez 6 horcruxes, dois deles já foram destruídos: o anel de Marvolo (que foi como Dumbledore machucou sua mão) e o diário de Tom Riddle, que foi destruído no segundo livro. Os outros 4, Dumbledore acredita que Voldermort queria os objetos dos fundadores de Hogwarts, mas a espada de Gryffindor está a salvo em seu escritório, portanto 3 podem estar nesses objetos. E o sexto e último, na serpente Nagini, que acompanha Voldermort. Então, para destruir Voldermort completamente, todos os horcruxes precisam ser destruídos.
Dumbledore relembra a Harry que o poder que ele tem e que Voldermort desconhece é a capacidade de amar. Harry pensa que não é um poder muito grande, mas Dumbledore insiste que ele deve sempre lembrar disso. E também que Harry não é dominado pela profecia, e sim por sua escolha. Mesmo que a profecia não dissesse que Harry tem que matar Voldermort, ele ainda assim escolheria fazer isso.
Ron finalmente termina o namoro com Lavender (na verdade, ela terminou com ele por ter ciúmes de Hermione). Hermione conta a Harry que Ginny e Dean também terminaram. Harry então fica em um dilema enorme, já que ele gosta de Ginny mas não quer “trair” seu melhor amigo namorando sua irmã, e fica nervoso porque se ele não falar com Ginny logo, algum outro garoto vai passar a sua frente e chamá-la para um encontro.
Harry descobre Malfoy chorando no banheiro com Moaning Myrtle, contando a ela que se ele não realizar seu plano logo, “ele” o matará. Surpreendido por Harry, eles lutam e Harry usa um feitiço do livro escrito pelo Half-Blood Prince, que para sua surpresa, causa vários cortes sérios a Malfoy. Myrtle sai gritando e Snape entra no banheiro, curando Malfoy. Snape pergunta a Harry qual feitiço ele usou e usa seu poder de leitura da mente para ver o livro que Harry estava usando e pede para que Harry traga o livro para ele, mas Harry consegue esconder o livro antes. Snape, irritado, coloca Harry de castigo até o final do ano, incluindo o dia da final de Quidditch. Arrasado, Harry conta para o time que não poderá jogar e chama Dean Thomas de volta para substituir Ginny como atacante e ela substituirá Harry como Seeker. Hermione fica ainda mais preocupada com o livro e quem era o Half-Blood Prince, mas Harry não dá o braço a torcer.
No dia do jogo, Harry passa horas no escritório de Snape, torturado por não saber o que está acontecendo durante a partida. Quando ele finalmente chega a torre de Gryffindor, todos estão celebrando a vitória, ele abraça Ginny e eles acabam se beijando, na frente de todos. Ron não faz nenhuma objeção e Harry decide tirar Ginny da festa e levá-la para passear nos jardins a sós. Eles começam a namorar.
Hermione continua pesquisando a identidade do Half-Blood Prince, e acha um artigo em um Daily Prophet antigo sobre Eileen Prince, uma estudante de Hogwarts, mas Harry e Ron insistem que o Half-Blood Prince não é uma mulher, pelo jeito que ele escreve.
Harry é chamado urgentemente ao escritório de Dumbledore, e no caminho, encontra Professora Trelawnay gritando no corredor, perto do Room of Requirement. Ela conta que entrou na sala mas que já tinha gente lá dentro, ouviu uma voz celebrando e foi então expulsa. Harry decide que ela tem que contar o que aconteceu para Dumbledore imediatamente. No caminho para o escritório, ela conta a Harry da entrevista quando ela conheceu Dumbledore (que Harry sabe bem, foi quando ela fez a profecia sobre ele e Voldermort) e que eles foram interrompidos por Snape. Harry fica possesso de raiva, já que ele sabia que essa pessoa que tinha ouvido a conversa foi quem contou a Voldermort sobre a profecia, que ocasionou a morte de seus pais.
Dumbledore conta a Harry que ele acredita ter encontrado um Horcrux e como prometido, chama Harry para ir com ele checar se é verdadeiro e destruí-lo. Harry confronta Dumbledore com a história de Snape – para ouvir Dumbledore dizer que naquela época Snape realmente estava trabalhando para Voldermort e que agora ele confia em Snape. Dumbledore então faz Harry prometer que vai cumprir todas as suas ordens na missão de recuperar o Horcrux, e Harry concorda. No caminho para pegar sua capa de invisibilidade, Harry pede a Ron e Hermione que fiquem de olho na escola, por causa do que aconteceu no Room of Requirement, e lhes dá o Marauder Map, onde eles podem ver a localização de todos dentro de Hogwarts, e a poção da sorte, para eles tomarem no caso de alguma coisa acontecer. Ele instrui Ron e Hermione a chamarem os outros membros da D.A. para ajudar, mesmo eles se mostrando incrédulos a respeito das suspeitas de Harry.
Harry e Dumbledore vão então para um local rochoso perto do mar, uma caverna onde Voldermort aterrorizou duas crianças quando ele era pequeno. Eles entram, e atravessam um lago cheio de Inferi (corpos que são magicamente controlados por magia negra) em um pequeno barco, até chegar a uma bacia com uma poção que Dumbledore acredita que ele deve beber para encontrar o Horcrux no fundo. Ele faz Harry prometer que vai fazê-lo beber a poção até o final. Ele começa a beber e vai se sentindo mal, e Harry vai fazendo ele beber tudo. Quando ele termina de beber, desmaia por alguns segundos. Ele acorda e pede água, Harry pega água do lago e começa a ser atacado pelos Inferi. Dumbledore, enfraquecido, conjura fogo e eles escapam. Eles Desaparecem e Aparecem novamente em Hogsmeade. Dumbledore está muito debilitado e precisa de ajuda – ele pede a Harry para chamar Snape. Eles precisam chegar a Hogwarts o quanto antes, Harry diz a Madame Rosmerta, dona do Three Broomsticks, que vai até a escola pedir ajuda, mas ela mostra a marca de Voldermort acima da torre de Astronomia de Hogwarts e diz que ele não pode ir sozinho. Ela empresta duas vassouras voadoras para Harry e Dumbledore e eles vão em direção à escola.
Eles chegam à base da torre, que está deserta, e Dumbledore está se sentindo muito mal. Ele pede a Harry que vá procurar Snape o quanto antes. Logo que Harry começa a correr para procurar Snape, ele ouve um barulho e Dumbledore o adverte para se esconder. Alguém lança um feitiço em Dumbledore, e Harry é paralisado. Harry vê que Dumbledore o paralisou para protegê-lo, mas esses segundos que ele perdeu para fazer isso, custaram sua própria defesa. Malfoy anda até Dumbledore, e diz que outros Death Eaters estão na escola, lutando com alguns dos alunos e os guardas da Ordem da Fênix. Dumbledore desafia Malfoy a matá-lo, mas ele não tem coragem. Eles conversam e Malfoy conta como conseguiu trazer os Death Eaters para Hogwarts: usando um armário no Room of Requirement, que tem um par na loja de magia negra em Diagon Alley, os Death Eaters entram por um armário e saem no outro. Eles conversam até que outros Death Eaters e Fenrir, o líder dos lobisomens, chegam. Eles pressionam Malfoy para matar Dumbledore, já que foram as ordens de Voldermort. Snape chega e mata Dumbledore. Harry, em choque e paralisado, assiste a tudo.
Os Death Eaters começam a fugir, Harry finalmente pode se mexer e petrifica um deles. Os outros chegam, a batalha entre os Death Eaters e os membros da Ordem da Fênix continua, Harry e alguns de seus colegas, incluindo Ginny, perseguem Snape. Hagrid, Snape e os Death Eaters lutam, Harry luta com Snape mas Snape bloqueia os feitiços, ele conta a Harry que ele é o Half-Blood Prince e sabe muito bem todos esses feitiços. Ele finalmente Desaparece com os outros Death Eaters e Malfoy no final dos jardins da escola. Harry ajuda Hagrid e eles voltam para a escola. Harry ainda está em estado de choque. Ele conta a Hagrid que Snape matou Dumbledore mas Hagrid não acredita, até que chegando perto da torre, ele vê os alunos começando a rodear um corpo no chão, e vê que é Dumbledore. Harry vê perto do corpo de Dumbledore o medalhão que eles recuperaram pensando ser o Horcrux, mas ele não se parece com o medalhão de Slytherin que eles pensaram que fosse. Ele lê uma mensagem que estava com o medalhão, que diz: “Ao Dark Lord: Eu sei que eu estarei morto muito antes de você ler isso, mas eu queria que você soubesse que fui eu que descobri o seu segredo. Eu roubei o horcrux de verdade e vou destruí-lo assim que eu puder. Eu encaro a morte na esperança de que quando você encontrar um adversário à altura, você será mortal novamente. R.A.B.”
Ginny leva Harry embora para o hospital, onde Ron, Hermione, Lupin e os outros que participaram da luta estão. Felizmente nenhum deles morreu, apenas alguns foram feridos, e Bill, um dos irmãos mais velhos de Ginny, foi mordido pelo lobisomem, mas como ele não estava transformado (porque não era lua cheia), ele provavelmente não vai se transformar em lobisomem – mas ninguém sabe quais serão os efeitos. Eles contam aos seus amigos que Dumbledore está morto, todos ficam em choque. Harry conta que viu Snape matar Dumbledore, ninguém sabe o que dizer. Fawkes, a fênix de Dumbledore, começa a cantar uma música tristíssima e todos ficam arrasados.
Harry ouve detalhes da batalha e do que aconteceu enquanto ele estava fora com Dumbledore, Mr and Mrs Weasley chegam no hospital junto com Fleur para ver Bill, e todos acham que ela não vai mais querer casar com ele – ela fica furiosa e diz que vai casar com ele sim, que não importa se ele está machucado ou não ou o que vai acontecer. Tonks aproveita a deixa para mostrar a Lupin que mesmo Bill tendo sido mordido por um lobisomem Fleur ainda vai casar com ele, e enfim todos entendem que Tonks esse tempo todo estava apaixonada por Lupin mas ele não acha que um lobisomem pode ter um relacionamento normal.
McGonagall assume como nova Diretora de Hogwarts, o Ministério de Mágica chega a escola e ela e os demais professores decidem que vão tentar manter a escola aberta no ano seguinte; Harry sugere que os estudantes fiquem na escola por mais uns dias para comparecer ao enterro de Dumbledore.
Nos dias seguintes a noite trágica, Harry passou todo o tempo com Ginny, Ron e Hermione. Harry continua pensando nos horcruxes que ele precisa encontrar: o medalhão de Slytherin, a taça de Hufflepuff, a cobra Nagini, alguma relíquia de Gryffindor ou Ravenclaw. Finalmente chega o dia do enterro de Dumbledore. Harry, Ginny, Hermione e Ron estão arrasados, assim como toda a escola. Harry conta a Ginny que ele precisa terminar com ela, porque Voldermort vai tentar usá-la contra ele, como já aconteceu no passado e ela era apenas a irmã do seu melhor amigo. Ela diz que esperava que ele fizesse isso, e que nunca deixou de gostar dele. Harry se afasta antes que ele mude de idéia, e vê Ron e Hermione chorando, juntos, Ron consolando Hermione. Eles conversam, e Harry diz que mesmo que Hogwarts continue funcionando no próximo ano, ele não voltará. Ele precisa continuar a busca pelos Horcruxes e matar Voldermort. Ron e Hermione prometem a Harry que eles estarão com ele.